Fabrica da Arte

As músicas do disco "Fábrica da Arte" comentadas pelos autores.

Vozes do Zen

Rico: Em 1985 eu e meus irmãos, Paulinho e Carminha, morávamos num apartamento na Rua Pamplona, em São Paulo. Carminha já era dentista, Paulinho cursava letras/tradução na Faculdade e eu fazia cursinho preparatório para o vestibular. Compus a música no sofá da sala e nos horários de descanso pegava o violão e ficava cantarolando a melodia. Paulinho: Ouvi aquela música uma, duas vezes e na terceira me apaixonei. Pedi ao Rico que me passasse os acordes e fui para o meu quarto. A letra fluiu em alguns minutos - eu tinha que falar sobre a música que tinha acabado de me conquistar. Nos dias seguintes alterei alguns versos e compus o solo de violão que se ouve no disco.

Fábrica da Arte

Márcio: Em 1995 eu morava em Ribeirão Preto e fui a uma exposição do artista plástico Iberê Camargo. Fiquei impressionado com a força da obra, principalmente com "As idiotas": grossas camadas de tinta e a "cara" do povo brasileiro. Chegando em casa peguei o violão e ao primeiro acorde de sol maior, comecei a letra. Alguns dias depois mostrei a música ao Rico. O arpejo do meu violão e o solo do violão do Rico que estão no disco são os mesmos que fazíamos em nossas noites de música no apartamento do Rico.  

Bolero Blues

Paulinho: Compus esta música em 1996, em Araçatuba, na sala de som de casa. Ao criar a seqüência de acordes dos dois primeiros compassos achei que era comum demais e resolvi descartar a música. Depois insisti até surgirem os novos compassos. Hoje é uma das minhas canções de que mais gosto. Com a melodia pronta, a letra não poderia deixar de ser romântica. O acorde final com nona foi sugerido pelo amigo e músico Marcelo Calixto após ouvir a música pela primeira vez.

Rara

Márcio: Em 1991 eu cursava Odontologia em Lins e numa bela tarde tive momentos inesquecíveis com uma pessoa muito especial. Depois, sozinho na sala da república em que eu morava peguei o violão e a música e a letra fluíram juntas, completas, como se tivessem sido ditadas para mim. Rara foi minha primeira música a conquistar muitas pessoas. A galera da faculdade cantava a letra de cor!  

Baião das Cores

Paulinho: Já estávamos gravando em 1998. Eu não sabia como, mas queria compor um baião para o disco. Por volta das onze da noite de um dia de semana eu já estava na cama e os primeiros versos soaram em minha cabeça. Levantei-me e comecei a rascunhar a letra. Escolhi uma seqüência harmônica no violão e uma métrica silábica dentro dessa harmonia. A melodia toda e a letra da última estrofe escrevi no dia seguinte. Fiquei satisfeitíssimo com o alto astral da letra, para a qual, deduzo, eu tenha me valido, inconscientemente, de uma música de Chico Buarque como pré-texto. Por telefone mostrei a nova canção ao Rico e ao Márcio.

Qualquer Canto:

Rico: Compus a melodia em São Paulo em 1985, na mesma época em que eu e o Paulinho fizemos Vozes do Zen. Brincando com o violão criei as seqüências harmônicas e quase toda a melodia. Faltava concluir a melodia com o mesmo acorde do início. Paulinho: O Rico me passou a harmonia e cuidei da letra. A conclusão melódica surgiu com as palavras da última estrofe e como conseqüência da bela música que o Rico já tinha feito: começa repetitiva e alça vôo a partir da segunda parte. O que mais gosto da letra são as diferenças temáticas sutis entre as três partes da música. A melodia é das que eu mais gosto.

Sentimento

Márcio: Em 1987 eu estudava em Ribeirão Preto e meu amigo Del apareceu na pensão em que eu morava para me mostrar uma música que acabara de compor. Ouvi e gostei mas, com a liberdade que eu tinha e tenho com ele, disse que a letra pedia outra música. Del achou boa a idéia e então encontramos uma nova melodia. Como a nova música pedia, fizemos também algumas alterações na letra. Dias depois, em Araçatuba, na casa do nosso amigo Fábio Martins, mostrei a música ao Rico que, com sua peculiar intuição musical, fez o belíssimo arranjo de violão que está gravado no disco.

Pão com Manteiga:

Paulinho: Compus esta música aos 15 anos, em 1978. Não me lembro da ocasião. Sei que fiz a música antes da letra. Na época cursava o colégio e eu e meus amigos já músicos de 14 e 15 anos, entre eles André Martins, Renato Fraguas e Mário Tozzi, fazíamos serenatas para as amigas e vizinhas. Perto de casa tinha um pensionato de meninas. O corredor entre a casa e o muro era muito estreito e eu ficava entre as janelas dos dois quartos para cantar. Quinze meninas adolescentes em duas janelas foi uma das mais belas visões que tive na vida! Infelizmente, elas não podiam me convidar para entrar e comer pão com manteiga. A dona da pensão não permitia.

Sempre

Márcio: Em 93 eu morava sozinho em Ribeirão Preto. Rico Belúcio e Andréia, com quem eu sempre passava parte dos fins de semana, estavam viajando. Optei por ficar recluso, sem sair com a galera, e comecei a dedilhar o violão em ritmo de samba, meio bossa. As cordas de aço pediam um tom maior em contraposição aos tons menores, geralmente empregados em sambas intimistas. Na semana seguinte mostrei a música ao Rico e à Andréia. Gostaram da ousadia (era meu primeiro samba). Andréia disse que era minha melhor música! Anos mais tarde Milton Farias disse que eu compus três músicas e juntei numa só! Só sei que gostei da experiência e fiz recentemente outro samba, que estará no próximo disco!

Faz a Canção

Márcio: Em 96, já morando em Araçatuba, eu e vários músicos da cidade (César Meneses, Rhany, Miltinho, Querô, Julinho e Carla, Pepa...) resolvemos organizar uma banda. As reuniões eram na Escola Música Livre, do Pepa. A coisa não virou! Era muita gente! Todos com seus compromissos musicais, horários diferentes... Enfim, a própria grandeza do projeto se tornou um empecilho. De qualquer forma, ficamos mais amigos! Após uma das reuniões, um pouco frustrado pela ansiedade, fui para casa e rapidamente compus letra e música. Ao mostrá-la na reunião seguinte, um novo ânimo surgiu no grupo. Fizemos arranjo e uma gravação com arranjo de Milton Farias e com o Rhany nos vocais. Hoje é das minhas músicas mais cantadas: Paulinho no disco da Fábrica, César Meneses na noite e Rhany em seu aguardado disco!  

Qual é o Mistério?

Paulinho: A Fábrica da Arte já existia. Curtindo o violão, na mesma sala em que compus Bolero Blues, criei as frases de violão da introdução e que também norteiam o refrão. A letra surgiu quando comecei a compor a primeira parte da música. A princípio resisti ao tema político, mas não pude escrever nada diferente. Acho que a força rítmica exigia uma letra de cunho social. Mostrei a música à Carminha, minha mulher, que gostou muito da letra; dias depois, mostrei ao Márcio e ao Rico, que gostaram muito da melodia! Fiquei muito satisfeito também com a qualidade da gravação.

Paraíso Brasileiro

Paulinho: Em 1985 eu cursava Letras/Tradução em Sampa. Nos feriados pegava o busum para Araça. Numa dessas viagens noturnas não dormi e fiquei observando a estrada escura, o céu... e pensando nos amigos, nas pessoas que eu amava. Ao chegar em Araçatuba, fui recebido pelo meu pai, o velho Paulo Nogueira, que me deu um forte abraço de boas-vindas. Conversamos bastante no caminho para casa, num dos vários momentos felizes e intensos que tive e tenho com ele. Em casa fui para meu quarto, pois precisava dormir. Não consegui. Escrevi a letra inteira, sem música. Não teve rascunho. A melodia fiz depois, num outro dia, e praticamente não precisei mexer na letra, pois respeitei uma métrica A/A/B/A ao escrevê-la. É uma de minhas preferidas.

Avelã

Márcio: Eu fazia Odontologia em Lins e eu e meus amigos de república estávamos estudando para as provas finais. Cisso Bado chegou com o início da letra. Para não quebrar a concentração dos colegas comecei a escrever a letra no meio dos livros. Logo me levantei e com Cisso, peguei o violão e terminamos música e letra. Fui bem na prova!"

Cisso Bado, além de dentista e compositor, é artista plástico. Visite http://sites.uol.com.br/terra.arte

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FÁBRICA DA ARTE NA PRAÇA


DIA 5 DE SETEMBRO DE 2008
A PARTIR DAS 20:30H
TEATRO ABERTO TOM JOBIM - PÇA JOÃO PESSOA - ARAÇATUBA
PROMOÇÃO SESC BIRIGUI
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